do Cenatório por César Elias

 Cenatórios…

     Emboscadas…

          Inevitáveis caminhos…


Rodopiei, pulei em falso nas vigas de minha própria feitiçaria.

Eu, a Ela.

Excessiva e mirada pela cobiça de outras Elas, fria…


Eu que oscilei segura na avenida da celebridade,

Que fui canção, provérbio e perfeição.

Eu, a Ela frágil de que hoje não há saudade…


Flashes famintos,

Cenários cintilantes,

Olhares obscenos e magnatas,

Bastidores sem dono…


Rodopiei e vi meu corpo em mutação.

Flashes desviados,
Cenários ocupados,
Olhares apáticos,
Jaulas infernais…

Eu, a Ela, despejada pelas Elas que um dia irão chorar.
Divino felpo que me seca as lágrimas,
Que adorna o espelho da mulher que não quero olhar…

                                                                                                         
                                                                                                       César Freitas

Hugo Castro

 (…)


São três ases: duas idades e um perito, nos remetem ao sendo (being), à prisão (captura) e à procura pela fuga.

A captura é obra das caixas que se espalham por ruas e por quartos, onde são chamadas. Não são quadros de mulheres, tão-pouco é o homem quem exerce o maior predomínio. É justo o olhar das mulheres ser desviado tanto quanto é cativado, como o é a interferência do traço do homem nas formas da mulher.

O estado é o movimento. Se é uma ela que nos olha primeiro como consequência do movimento dele, também é ele para nós o presente, aquele que está (being), porém invisível…

…e a libertação é fruto híbrido entre o autor e a pintura. Colectivos de humanos e não humanos fundem-se nesse aspecto: o da libertação agenciando; e o da relação não apenas circunstancial mas também indivisa: tela/humano – mulher/homem. A vergonha e desonra confundem-se assim com o ensejo e a inculpa!

Foge, foge… que se por elas chamasse, só ele responderia.

                                                                                                                                    Hugo Castro